quarta-feira, 6 de maio de 2015

Futuro

O futuro inexiste. Tudo é presente, e o que já não é presente é passado, ao qual jamais se pode retornar, exceto por meio da memória, capaz de retratar imprecisamente o passado no presente. A memória é o anzol empenhado em fisgar o que subjaz nas águas turvas do rio de Heráclito. Futuro é sempre quimera. Existe na conjugação dos verbos, nos sonhos, nas ambições e nos projetos. É a morada do desejo. E o desejo, pulsão vital, nunca se contenta com o presente. Insaciável, escancara-nos à beira da encruzilhada: ser ou ter.Frei Beto – Aldeia do Silêncio, p. 50-51.