sábado, 16 de fevereiro de 2008

Pai Nosso


Para quer ter medo. Que bobagem! Você não vê que Deus providência o sustento do passarinho.

Medo, eterno medo. Medo do perder aquilo que parece ser tudo, mas que a pouco serve e sempre atrapalha. Medo de abandonar o casulo e bater asas coloridas. Ansiedade por um tempo que passa e não quer voltar. Ansiedade por dias que fogem entre os dedos da mão cerrada. A ansiedade de conservar um corpo que inexoravelmente envelhece e se apaga.

Desejo de aumentar patrimônios de preocupações. Ilusão de comprar amizade, de impor respeito com o talão de cheque. Planos de condicionar os outros e que enfim nos acorrentam como escravos.

A alegria está aí na palma da mão, de graça, simples e brilhante como o orvalho que cobre qualquer folha. Fácil de ser nossa como fragrância de uma rosa. Mas como encontrar a paz?

O texto a seguir de Pietro Ubaldi, que me permiti adaptar livremente, ajuda a compreender um pouco da felicidade do passarinho e da paz que o acompanha: “Indestrutível, sempre presente no espaço, no tempo, e além do infinito”.

“Pai, te amo. Mesmo quando tua respiração é dor porque tua dor é amor, mesmo quando tua lei é esforço porque o esforço que tua lei impõe é o caminho de qualquer ascensão humana”.

“Pai, mergulho em tua potência, nela me abandono, nela encontro o alimento que me sustenta”.

“Pai, te procuro no âmago e no infinito, de onde Tu me chamas. Não sei onde Tu estás, mas te encontro a cada passo. Esqueço-te e te ignoro, no entanto, te sinto em cada palpitação. Não sei te individuar, mas gravito em torno de Ti, como gravitam todas as coisas do universo”.

“Como serás Tu, meu Pai, que não sei descrever nem definir, se apenas o reflexo de tuas obras me chega? O homem te busca na ciência, te invoca na dor, te bendiz na alegria. Tu meu Pai, estás no ribombar da tempestade; na carícia do humilde; na explosão atômica; na vitória da vida e do espírito; na alegria e na dor, na vida e na morte. Pai sem limites que tudo abarca, estreita e domina, até mesmo os contrários que guias para o mesmo fim”.

“O ser sobe, de forma em forma, ansioso de te conhecer”.

“Adoro-te, supremo princípio de tudo, em tua vestimenta de matéria, em tua manifestação de energia; no inexaurível renovar-se de formas sempre novas e perfeitas. Te adoro, inesgotável força do universo. Te adoro meu Pai, ilimitado, além de todos os limites da minha compreensão”.

“Nessa adoração me aniquilo e me alimento; quero me fundir a Ti, amor ilimitado”.

“Meu Pai, me faz sentir teu abraço eterno”.


Texto extraído do jornal Super Noticía dia 14/11/2004 coluna opinião.